Intervenções e tratamentos

Publicado em 15 de novembro de 2017

 

Tipos mais usuais de intervenção e tratamento

Serão abordados alguns tratamentos que podem ser utilizados como intervenção para alguns casos de autismo.

Os tratamentos citados serão o TEACCH (Treatment and Education of Autistic and related Communication-handicapped Children), ABA (Applied Behavior Analysis), e PECS (Picture Exchange Communication System).

TEACCH – Tratamento e educação para crianças com autismo e com distúrbios correlatos da comunicação

Segundo o site universo autista (2015), o TEACCH foi desenvolvido na década de 1960 no Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade da Carolina do Norte, Estados Unidos, e atualmente é muito utilizado em várias partes do mundo. Foi idealizado e desenvolvido pelo Dr. Eric Schoppler, e atualmente tem como responsável o Dr. Gary B Mesibov.

Ainda de acordo com o site, o método TEACCH utiliza uma avaliação chamada PEP-R (Perfil Psicoeducacional Revisado) para avaliar a criança, levando em conta os seus pontos fortes e suas maiores dificuldades, tornando possível um programa individualizado.

Mello (2007, p.36) assim descreve o Programa ou Método TEACCH:

O TEACCH se baseia na organização do ambiente físico através de rotinas – organizadas em quadros, painéis ou agendas – e sistemas de trabalho, de forma a adaptar o ambiente para tornar mais fácil para a criança compreendê-lo, assim como compreender o que se espera dela. Através da organização do ambiente e das tarefas da criança, o TEACCH visa desenvolver a independência da criança de modo que ela necessite do professor para o aprendizado, mas que possa também passar grande parte de seu tempo ocupando-se de forma independente.

As maiores críticas ao TEACCH têm sido relacionadas à sua utilização com crianças de alto nível de funcionamento, e que ele supostamente ‘robotizaria’ as crianças. A tendência de crianças com autismo que passam por um processo consistente de aprendizado, ao contrário de se robotizarem, é de humanizarem-se mais e progressivamente.

 

ABA – Análise aplicada do comportamento

Segundo o site Terapia Aba (2013), o tratamento comportamental analítico do autismo visa ensinar à criança habilidades que ela não possui, através da introdução destas habilidades por etapas. Cada habilidade é ensinada, em geral, em esquema individual, inicialmente apresentando-a associada a uma indicação ou instrução.

Quando necessário, é oferecido algum apoio (como por exemplo, apoio físico), que deverá ser retirado tão logo seja possível, para não tornar a criança dependente dele. A resposta adequada da criança tem como consequência a ocorrência de algo agradável para ela, o que na prática é uma recompensa. Quando a recompensa é utilizada de forma consistente, a criança tende a repetir a mesma resposta.

O primeiro ponto importante é tornar o aprendizado agradável para a criança. O segundo ponto é ensinar a criança a identificar os diferentes estímulos.

Assim, respostas problemáticas, como negativas ou birras, não são, propositalmente, reforçadas. Em vez disso, os dados e fatos registrados são analisados em profundidade, com o objetivo de detectar quais são os eventos que funcionam como reforço ou recompensa para os comportamentos negativos, desencadeando-os. A criança é levada a trabalhar de forma positiva, para que não ocorram os comportamentos indesejados.

A repetição é um ponto importante neste tipo de abordagem, assim como o registro exaustivo de todas as tentativas e seus resultados.

A principal crítica ao ABA é também, como no TEACCH, a de supostamente robotizar as crianças, o que não nos parece correto, porque a ideia é interferir precocemente o máximo possível, para promover o desenvolvimento da criança, de forma que ela possa ser maximamente independente o mais cedo possível.

 

PECS – Sistema de comunicação por meio da troca de figuras

Segundo o site carlaulliane (2016), o PECS foi desenvolvido para ajudar crianças e adultos com autismo e com outros distúrbios de desenvolvimento a adquirir habilidades de comunicação. O sistema é utilizado primeiramente com indivíduos que não se comunicam ou que possuem comunicação, mas a utilizam com baixa eficiência.

O nome PECS significa: sistema de comunicação através da troca de figuras, e sua implementação consiste, basicamente, na aplicação de uma sequência de seis passos.

O PECS visa ajudar a criança a perceber que através da comunicação ela pode conseguir muito mais rapidamente as coisas que deseja, estimulando-a assim a comunicar-se, e muito provavelmente a diminuir drasticamente problemas de conduta.

Esse sistema tem sido bem aceito em vários lugares do mundo, pois não demanda materiais complexos ou caros, é relativamente fácil de aprender, pode ser aplicado em qualquer lugar e quando bem aplicado apresenta resultados inquestionáveis na comunicação através de cartões em crianças que não falam, e na organização da linguagem verbal em crianças que falam, mas que precisam organizar esta linguagem.

 

Outros tratamentos

Encontra-se diversas outras formas de tratamento em casos de autismo de acordo com Mello (2007, p. 40),

como tratamentos psicoterapêuticos, fonoaudiológicos, equoterapia, musicoterapia e outros, que não têm uma linha formal que os caracterize no tratamento do autismo, e que por outro lado dependem diretamente da visão, dos objetivos e do bom senso de cada profissional que os aplica.

Assim, é observado que existem diversos outras formas de tratar uma pessoa autista, com diferentes tipos de ferramentas diferentes, por exemplo, com a música, a musicoterapia. Nesse sentido, o tratamento é definido pelo profissional capacitado e responsável pelo autista, na qual definirá a forma mais adequada e que atenda às necessidades de cada paciente.

 

Medicação

Os pais devem tomar cuidados com os medicamentos, pois devem utilizar apenas os remédios receitados por um médico. Antes de aplicarem o remédio, é recomendado à família que se informe com o médico sobre o que se espera da medicação adotada, qual o tempo necessário para surtir resultados e quais são os possíveis efeitos colaterais.

 

A inclusão

A inclusão é definida de diversas formas no contexto da criança autista. Dessa forma é importante reforçar que,

quando se pensa em termos de inclusão, é comum a ideia de simplesmente colocar uma criança que tem autismo em uma escola regular, esperando assim que ela comece a imitar as crianças normais, e não crianças iguais a ela ou crianças que apresentam quadros mais graves. Pode-se dizer, inicialmente, que a criança com autismo, quando pequena, raramente imita outras crianças, passando a fazer isto apenas após começar a desenvolver a consciência dela mesma, isto é, quando começa a perceber relações de causa e efeito do ambiente em relação a suas próprias ações e vice-versa (MELLO, 2007, p.41).

Algumas crianças que têm autismo podem demorar a obtenção da consciência sobre si próprio, e outras podem não desenvolvê-la.

Mello (2007) aponta que um atendimento especializado, antes da inclusão numa escola regular, pode ajudar a criança a desenvolver a consciência de si mesma, preparando-a para utilizar-se de modelos, posteriormente.

 

REFERÊNCIAS: MELLO, A. M. S. R. de. Autismo: guia prático. 8. ed. São Paulo: AMA; Brasília: CORDE, 2007.

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