O que é Autismo?

Publicado em 2 de novembro de 2017

O Autismo e todos os distúrbios, incluindo o transtorno autista, transtorno desintegrativo da infância, transtorno generalizado do desenvolvimento não-especificado (PDD-NOS) e Síndrome de Asperger, fundiram-se em um único diagnóstico chamado Transtornos do Espectro Autista – TEA.

Convém ressaltar que o site autismo institutopensi (2017) aponta que o TEA é uma condição geral para um grupo de desordens complexas do desenvolvimento do cérebro, antes, durante ou até mesmo logo após o nascimento. Esses distúrbios são caracterizados pela dificuldade na comunicação social e comportamentos repetitivos. Embora todas as pessoas com TEA partilhem essas dificuldades, o seu estado irá afetá-las com intensidades diferentes. Assim, essas diferenças podem existir desde o nascimento e serem óbvias para todos, ou podem ser mais sutis e tornarem-se mais visíveis ao longo do desenvolvimento.

Ainda segundo o site, o TEA pode ser associado com deficiência intelectual, dificuldades de coordenação motora e de atenção e, às vezes, as pessoas com autismo apresentam problemas de saúde física, tais como sono, distúrbios gastrointestinais, síndrome de deficit de atenção e hiperatividade, dislexia ou dispraxia. Na adolescência podem desenvolver ansiedade e depressão.

Nesse sentido, as pessoas que apresentam o TEA podem demonstrar dificuldades de aprendizagem em diversos estágios da vida, porém, existem pessoas que regem a vida de forma relativamente ‘normal’, mesmo com essa condição. O TEA é uma condição permanente, onde percorre todo o ciclo de vida, desde seu nascimento até a fase adulta.

O autismo foi documentado, em um artigo, pela primeira vez no ano de 1943 pelo Dr. Leo Kanner, psiquiatra austríaco, onde são relatados 11 casos sobre a condição. A primeira criança diagnosticada com autismo foi Donald Gray Triplett, hoje com 82 anos de idade. O Dr. Hans Asperg (1944), também psiquiatra e pesquisador austríaco, escreve outro artigo descrevendo crianças semelhantes às que foram relatadas pelo Dr. Leo Kanner. Segundo Mello (2007) atualmente atribui-se tanto a Kanner como a Asperger a identificação do autismo.

Registra-se ainda que a Associação Americana de Psiquiatria (1952) publica a primeira edição do Manual Diagnóstico e Estatístico de Doenças Mentais (DSM). Esse manual fornece uma nomenclatura e critérios padrão para o diagnóstico de transtorno mental. Nesta primeira edição, sintomas de autismo semelhantes eram classificados como um subgrupo da esquizofrenia infantil. Autismo não era considerado como um diagnóstico separado. No principio dos diagnósticos, havia uma crença que o autismo era causado devido à falta de calor maternal, pais não emocionalmente responsivos aos filhos.

Rutter (1978), classifica o autismo e propõe sua definição com base em quatro critérios: atraso e desvio sociais não só como deficiência intelectual; problemas de comunicação e novamente, não só em função de deficiência intelectual associada; comportamentos incomuns, tais como movimentos estereotipados e maneirismos; e início antes dos 30 meses de idade.

Por sua vez, Lovaas (1988), psicólogo da Universidade da Califórnia Los Angeles, publica um estudo pioneiro no qual demonstra como a intensidade da terapia comportamental pode ajudar crianças com autismo, dando uma nova esperança para os pais. Nesse estudo sobre análise do comportamento, 19 crianças entre 4 e 5 anos, diagnosticadas com autismo, foram submetidas a 40 horas de atendimento – intervenção precoce intensiva. Depois de dois anos, o Quociente de Inteligência (QI) dessas crianças havia aumentado 20 pontos em média. Crianças que não foram submetidas à terapia comportamental ABA, não apresentaram melhoras. O DSM substitui ‘autismo infantil’ com uma definição mais ampla para ‘Transtorno de Autismo’ e inclui uma lista de critérios diagnósticos. Durante os anos 1980 e 1990, o papel da terapia comportamental e uso de ambientes de aprendizagem altamente controlados emergiram como os principais tratamentos para muitas formas de autismo e condições relacionadas.

Para chamar a atenção para esse transtorno e despertar o interesse da sociedade, no ano de 2007 a ONU institui o dia 2 de abril – como o Dia Mundial da Conscientização do Autismo. Esse ato, pelo seu simbolismo, abriu possibilidades para um maior diálogo entre as famílias, profissionais da área e os próprios indivíduos com autismo.

Por outro lado, no ano de 2014, o autismo atingiu 1% da população, 70 milhões de pessoas no mundo, sendo 2 milhões no Brasil de acordo com o relatório do CDC (Centro de Controle e Prevenção de Doenças).

 

REFERÊNCIAS: MELLO, A. M. S. R. de. Autismo: guia prático. 8. ed. São Paulo: AMA; Brasília: CORDE, 2007.

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