O que é Síndrome de Asperger?

Publicado em 2 de novembro de 2017

Síndrome de Asperger

A Síndrome de Asperger é um Transtorno Global do Desenvolvimento (TGD), resultante de uma desordem genética, e que apresenta muitas semelhanças com relação ao autismo. Apesar de ter sido descrita por Hans Asperger no ano de 1944 no artigo ‘Psicopatologia Autistica na Infância’, apenas no ano de 1994 a Síndrome de Asperger foi incluída no DSM-IV com critérios para diagnóstico. Asperger acreditava que para estas crianças, educação e terapia eram a mesma coisa e que apesar de suas dificuldades elas eram capazes de adaptar-se desde que tivessem um programa educacional apropriado.

A síndrome de Asperger (SA) caracteriza-se por prejuízos na interação social, bem como interesses e comportamentos limitados, como foi visto no autismo, mas seu curso de desenvolvimento precoce está marcado por uma falta de qualquer retardo clinicamente significativo na linguagem falada ou na percepção da linguagem, no desenvolvimento cognitivo, nas habilidades de autocuidado e na curiosidade sobre o ambiente. Interesses circunscritos intensos que ocupam totalmente o foco da atenção e tendência a falar em monólogo, assim como incoordenação motora, são típicos da condição, mas não são necessários para o diagnóstico (KLIN, 2006, p.6).

Ao contrário do que ocorre no autismo, contudo, crianças com Asperger não apresentam grandes atrasos no desenvolvimento da fala e nem sofrem com comprometimento cognitivo grave.

Características frequentemente apresentadas pelos portadores da Síndrome de Asperger

Mello (2007) aponta que existe atraso na fala, mas com desenvolvimento fluente da linguagem verbal antes dos cinco anos e geralmente com: dificuldades na linguagem, linguagem pedante e rebuscada, ecolalia ou repetição de palavras ou frases ouvidas de outros, voz pouco emotiva e sem entonação.

Segundo o Manual para Síndrome de Asperger (2013), crianças com Síndrome de Asperger mostram o desenvolvimento de uma linguagem típica e, muitas vezes, um vocabulário proporcionalmente superior. No entanto, você deve ter observado que quando seu filho interage com outras pessoas ele pode usar as habilidades linguísticas inadequadamente ou embaraçosamente.

Também há presença de habilidades incomuns como cálculos de calendário, memorização de grandes sequências como mapas de cidades, cálculos matemáticos complexos, ouvido musical absoluto etc.

Ainda, interpretação literal, incapacidade para interpretar mentiras, metáforas, ironias, frases com duplo sentido, etc. Dificuldades no uso do olhar, expressões faciais, gestos e movimentos corporais como comunicação não verbal, dificuldade para entender e expressar emoções, dentre outras características.

Critérios para diagnóstico

No DSM-5 (2013), os sintomas de interação social e comunicação social foram agrupados em um só. Existem dois grupos de sintomas para o diagnóstico, baseado na presença de dois critérios:

  1. Déficits de comunicação/interação social: déficit na reciprocidade das interações, déficits nos comportamentos não-verbais, dificuldade de desenvolver/manter relacionamentos;
  2. Presença de um padrão repetitivo e restritivo de atividades, interesses e comportamentos: estereotipias (ecolalia, p.ex.), insistência no mesmo, adesão estrita a rotinas, interesses restritos/incomuns, hiper/hipo reatividade a estímulos sensoriais.

Assim como no autismo, não existem exames clínicos que identifiquem a Síndrome de Asperger, sendo o diagnóstico feito através da observação dos comportamentos. Os critérios do diagnóstico oficial da Síndrome de Asperger estão enumerados no DSM-IV (MELLO, 2007, p.27).

Ainda segundo Mello (2007), alguns pesquisadores acreditam que Síndrome de Asperger seja a mesma coisa que autismo de alto funcionamento, isto é, com inteligência preservada. Outros acreditam que no autismo de alto funcionamento existe atraso na aquisição da fala, e na Síndrome de Asperger, não.

Muitas pessoas acreditam que a importância da diferenciação entre Síndrome de Asperger e Autismo de Alto Funcionamento seja mais de cunho jurídico do que propriamente para escolhas relacionadas ao tratamento.

Por um lado para algumas pessoas dizer que alguém é portador de Síndrome de Asperger parece mais leve e menos grave do que ser portador de autismo, mesmo que de alto funcionamento – embora isto seja provavelmente uma ilusão. Por outro lado, associações de autismo em todo o mundo alegam que esta divisão em duas patologias diferentes enfraquece um movimento que necessita de tanto apoio como o dos que trabalham pelo autismo.

 

Intervenções e tratamento

Mello (2007) aponta que mesmo considerando que o tratamento é realizado com auxílio de programas individuais em função da evolução de cada criança, os seguintes 5 aspectos podem ser fundamentais como alvos preferenciais de tratamento em um programa de intervenção precoce com indivíduos com Síndrome de Asperger:

  1. A autonomia e a independência;
  2. A comunicação não-verbal;
  3. Os aspectos sociais como imitação, aprender a esperar a vez e jogos em equipe;
  4. A flexibilização das tendências repetitivas;
  5. As habilidades cognitivas e acadêmicas.

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