Segundo a ANS, três das maiores operadoras concentraram quase metade do lucro agregado informado no período (49%).

Alguma coisa muito errada não está certa na equação que envolve o setor de saúde no país. A matemática, nesse caso, transformou-se em um sumidouro da lógica. A relação entre planos de saúde, hospitais e consumidores, que contratam convênios para garantir um mínimo de proteção contra problemas futuros, é tensa. Beneficiários, a parte mais fraca dessa conta, se queixam dos valores cobrados pelos planos de saúde e da constante limitação dos serviços oferecidos. Na capital Gaúcha, por exemplo, a Unimed Porto Alegre descredenciou uma clínica especializada no tratamento de crianças e adolescentes diagnosticados com Transtorno do Espectro Autista (TEA).

A decisão do plano acarretou transtornos. Mães e pais criticaram a interrupção brusca de tratamentos iniciados há pelo menos três anos. Quem pôde recorreu a advogados e, por consequência, à Justiça. O Ministério Público também foi acionado. É evidente que as despesas dessas famílias, para garantir o serviço contratado, aumentaram. Sobre esse caso, o blog autismoemfoco está tentando falar com o presidente do Conselho Administrativo da Unimed Porto Alegre, o médico anestesiologista Márcio Pizzato. Ele até agora preferiu não se manifestar.

A outra parte dessa fatura, os hospitais, aponta tentativas de aumentos abusivos nos valores dos serviços prestados aos convênios e a crescente demora no recebimento de valores.

Dentro desse contexto, os dados a seguir escandalizam. Segundo as informações enviadas pelas operadoras de planos de saúde e pelas administradoras de benefícios à ANS, o setor de saúde suplementar registrou receitas totais de R$ 391,6 bilhões, com lucro líquido acumulado de R$ 24,4 bilhões em 2025. Esse resultado equivale a aproximadamente 6,2% da receita total do período; ou seja, para cada R$ 100,00 de receitas, o setor obteve cerca de R$ 6,20 de lucro. Os números foram divulgados em 17 de março.

Conforme o resultado verificado no ano anterior, segundo divulgação da ANS, o desempenho das operadoras foi o maior da série histórica em termos nominais, superando inclusive o recorde anterior durante a pandemia de COVID-19, levando o retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) a 16,4%, patamar superior aos anos pré-pandemia.

O diretor de Normas e Habilitação das Operadoras, Jorge Aquino, explicou como a agência deverá proceder a partir de agora:

E acrescentou:

Destaca-se que três das maiores operadoras concentraram quase metade do lucro agregado informado no período (49%), evidenciando a influência do desempenho dessas grandes empresas no resultado geral do setor.

Com informações da reportagem e da ANS. Imagem: Gerd Altmann, Pixabay.

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